Corra Igor, Corra

"Eu quero fazer silêncio, um silêncio tão doente do vizinho reclamar!" – Chico Buarque

Categoria: sociedade

Tua exisência importa

Em muitos momentos vão tentar te deslegitimar.

Negar tua existência, tua vivência, teu ser-estar no mundo.

E vão dizer “não é isso porque não tem isso” “não pode estar em determinado lugar porque não faz parte de determinada situação”.
E vão tentar te calar

E vão dizer não pros teus sonhos.

E vão impor impossibilidades pro teu lugar de fala, teu lugar de origem, teu desejo de participar.

Você vai querer se calar, aceitar, abaixar a cabeça.

Mas não.

Dentro desse mundo, entre o céu e a terra, entre o mar e a areia

Sua vivência importa. Existir é resistir.

Não se cale, não se curve, não se contente. Assuma o que é seu.

Você é. Você pode. Você é capaz. O seu sonho te pertence.

Você não é predeterminado. Você é livre. Você pode ser o que quer.

Tua existência é importante.

Tua vivência é importante.

Seja e exista e permaneça  e conquiste e assuma e resista e mostre que

quem estava errado na história

não era você…

Quem me dera ao menos uma vez…

“Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha” – Índios (Legião Urbana)

O que falta é humanidade. Veja que disse humanidade, não dinheiro, não paz, não glória. O que falta mesmo é humanidade. Dentro de um galinheiro existe humanidade. Há respeito, há ordem.

Será que nós que somos as galinhas?

Já dizia Clarice Lispector, viver é um soco no estômago. Mas quem o dá? A vida? Não. Nós o damos. Por isso repito, falta humanidade.

O sangue que escorre de meus dedos não será em vão caso haja humanidade. 

Digressão.

Mudança.

Falta de nexo.

Vivemos em uma sociedade que é cinza. Quem me dera que os contos de fadas fossem reais e que todas as pessoas fossem felizes.

Vá ao shopping, vá ao metrô, entre no metrô. O que se vê? Pessoas vazias de si mesmas. O mundo não precisa de dinheiro. O mundo precisa de humanidade. E há saudade, há dor, há perda. Há pedaços de espelhos quebrados em nossas mãos.

(Quando se passa muito tempo longe da escrita é difícil voltar)

Hoje pela manhã acordei com uma alegria imensa dentro do peito, mas passou. Tudo passa e olhar pela janela fez passar. O mundo anda vazio de tudo e cheio de nada. Quisera eu um dia conseguir pegar todos no colo, dar um banho quente e dizer que tudo é possível caso haja fé.

Falta humanidade, porém também falta fé. Fé na humanidade. 

Máquinas a todo instante, mas e o viver? Estou farto de conviver com gente tão vazia. Máquinas. Um maquinário completo. Estou cansado de andar nas ruas e ver faces estáticas.

Eu quero sorrisos,

Quero abraços.

Quero felicidade.

Quem antes próximos de nós estava, hoje se rebela e guerreia. Por status, por dinheiro, deixando às migalhas aquilo que carregava no peito.

Uma troca, tenha e deixe de ser. 

Totalmente sem nexo. (tanto o texto, quanto a vida).

Eu só queria voltar a trás. Aos cinco anos, onde o amor era gritante e a alegria parecia regra. Onde a dor não existia e tudo era resolvido com xarope. Queria voltar ao tempo em que os amigos eram amigos e não existia competição, em que a dor do mundo era tão pequena que nem tinha concorrência.

Eu só queria que o mundo fosse, de verdade, da maneira como nos pintaram quando crianças: possível.

Na realidade o mundo é dos sonhadores, mas vos pergunto: há espaço de sonhar?

Transcender, renascer.

É preciso sonhar para se ter humanidade, é preciso que se tenha fé na vida.

Tentar outra vez.

Será que ainda se tem força para tentar?

Os pássaros e as crianças.

“Somos o futuro da nação, geração coca-cola” (Geração Coca – Legião Urbana)

Nós nascemos e com o tempo vamos evoluindo… Crescendo… Mas de repente vem um estouro em nossas mãos e percebemos: somos responsáveis por tudo isso que nos cerca. Somos os médicos, engenheiros, arquitetos, artistas, professores, músicos, cineastas dos dias atuais.

Uma lacuna no tempo.

Éramos só crianças e já pensávamos no que seríamos, mas ninguém nos avisava da importância e do peso que se carrega por se escolher ser algo.

Tiro no escuro.

As crianças são o nosso futuro. Esses seres pequenos e carinhosos de sua maneira tomarão nossos lugares, mas será que eles são preparados para entender o peso que carregam nas costas? Não digo o peso da escolha, mas o peso da mudança, o peso de ser tudo aquilo que eles pensam, mas que quando crescem escondem numa caixinha por mero desespero de se enquadrar em algum lugar. As crianças são como os pássaros: podem voar. E voam longe, caso a liberdade de criar os seja dada.

Mas e se o pássaro cresce em uma gaiola?

E se a águia é criada como galinha?

E se a criança é criada sem esperança?

Quando viramos para uma galinha e a mandamos voar, ela bate as asas mas nada de alcançar voo. Quando viramos para uma criança e dizemos a ela que NÃO é possível voar, ela esquece das possibilidades da vida.

Crer nas crianças e em seus sonhos é crer em um mundo diferente, em um mundo melhor, pois suas almas não anseiam o mal, suas almas anseiam o bem, o carinho e o afeto (que convenhamos: muitas vezes os faltam). Acreditar em uma criança e dizer que ela tem o poder de fazer tudo aquilo que ela almeja é acreditar que a sociedade ainda tem esperança. Educar as crianças para a vida é educar uma geração que dará continuidade a tudo aquilo que nós criamos, é acreditar na possibilidade de concerto de erros que nós não fomos informados. (Mas não, elas não tem a obrigação de limpar a merda que nós mesmos fizemos).

Olhar para uma criança e dizer “VOE” é como criar a cura para muitas doenças.

Sonhos são importantes

E crianças sonham.

Dê importância ao grito dos pequenos.

Crianças são como pássaros: se você gritar para que voem ao horizonte em busca de seus sonhos, elas irão.

Não galinhas.

Não pássaros enjaulados.

Mas sim, pássaros livres. Livres para ser aquilo que ELAS quiserem.

O passado nós já criamos, agora o futuro depende delas. Mas depende muito mais de nós na maneira como iremos impulsionar o voo.