Então eu vi 01: Bem vindo à casa de Bonecas (1995)

Dawn Weiner (Heather Matarazzo) não tem motivos para gostar da escola, na qual estuda na sétima série. Ela é uma adolescente complexada e há motivos para isto. No seu colégio é ridicularizada pelos colegas, que a chamam de “Salsicha”, e seu relacionamento com sua família não é dos melhores. Ela deseja ser aceita de qualquer jeito e para isto planeja namorar um rapaz mais velho, que é muito popular, apesar disto ser totalmente improvável. (Fonte: Filmow)

Fazia muito tempo que um filme, ao seu término, não me deixava dividido entre gostei e não gostei. Hoje, alguns dias depois de ter assistido Bem vindo à casa de Bonecas, chego a conclusão de que o filme me agradou de uma forma dura, tocando dentro, lá onde a ferida é aberta.

Já no começ04f37da9d3b5ddd4bded99de29909bf1o do filme a gente se depara com uma cena que parte o coração: nossa personagem principal, na hora do recreio na escola, procurando um lugar para sentar. Mas espere, Igor, o que tem demais nisso? Vamos lá, alguns lugares estavam disponíveis, mas ela não se atrevia a sentar em nenhum deles. Sabe quando  o sentimento de negação te invade? Pois bem, foi isso que senti. A incerteza e o medo de não ser aceito (sentimento mais aprofundado pelo enquadramento da câmera e pelo modo como a cena foi gravada).

O filme inteiro esse sentimento vem e volta a todo instante. Em determinado momento a vontade que surge é de pegar a personagem no colo e falar que tudo vai ficar bem.

Engraçado que me faltam palavras para dizer o que foi a experiência… Mas continuemos. A personagem só tem um amigo – fora da escola – sua família é totalmente a parte de sua existência e aí um fato me fez ter muita raiva: em várias cenas é visto a irmã mais nova, numa roupinha de balé dando saltos leves e fofos. A perfeição da família, o equilíbrio, a disciplina talvez. Isso é doloroso de se ver, pois Dawn é totalmente o oposto disso e em nenhum momento é tentato pelos outros amenizar tal situação: ela é a todo instante uma freak.

Talvez a pior cena que retrata exatamente essa exclusão familiar é a que a mãe impede Down de comer a sobremesa só porque ela não permitiu que seu clubinho no quintal – seu porto seguro talvez – fosse destruído. A única coisa realmente dela e para ela da casa estava em jogo! É doloroso de ver essa cena (inclusive, vale joinha para esta parte da atuação, é estupenda).

Outro ponto que gostaria de levantar é como nos nossos 13,14 anos (e até mais pra frente, pra ser bem sincero) sentimos a necessidade de estar inseridos em algum meio. Down, ainda uma criança, se apaixona pelo “amigo” do irmão e decide por tudo ficar com ele: talvez aqui haja uma identificação, um porto seguro, algo como “oh céus, alguém é parecido comigo”. Essa parte é delicada, o sentir-se desejada, a vontade por ser amada, a ilusão do primeiro amor… E como ficamos cegos ao estarmos apaixonados. Dawn deixa de lado quem realmente a ama (e depois volta e recebe um fora) por achar que o idel é aquele que, aparentemente, está acessível.

Agora me vem que essa parte do texto ficou confussíssima, mas tudo bem, pensamentos que estão sendo expostos no papel, opa, tela. Ainda sobre esse cara, Dawn, ao ir atrás dele demonstra tamanha insegurança e inocência, pelo menos ao meu ver, pois cá entre nós, o cara é um lixo humano. Me pergunto agora, como a solidão nos afeta e nos move em nossas relações? (Um ps para  uma das cenas mais tristes já vistas: o fora que o cara dá nela. MENINES. Eu fiquei mal).

Mais um ponto que me vem à cabeça agora: influência, maldita influência. Em muitos momentos Dawn repete discursos que à ela são submetidos (discursos bem pesados, por sinal). Será que como uma válvula de escape, como forma de externar tudo que ela passa? Será como forma de ser percebida? É uma incognita para mim, mas isso traz à trama um peso muito grande.

Do meio do filme para o final Dawn foi me dando raiva, mas aí eu respirei fundo e vi: ela só tem 13 anos e tá passando por tudo isso sozinha. E aí VRÁ, se fosse comigo? Pe sa do.

Cabe falar sobre o figurino e como as cores deste estão totalmente correlacionados com as mudanças no filme: começa com tons mais claros, rosa, cores calmas, mais para o final o roxo vai tomando conta das roupas de Dawn, o que foi interessante de acompanhar.

Bem, diversos pontos ainda me passam pela cabeça a cerca do filme, mas acho que cabem em outra discussão… Bem vindo à casa de Bonecas é um filme que deve ser visto e discutido. É um filme que dói, maltrata. É um filme sobre o ter de suportar. Será que todos são capazes de suportar?

E sobre o final: por favor, vamos discutir sobre!!! Preciso de alguns pontos de vista a respeito.

Link para download (torrent): Filmes Cult