Corra Igor, Corra

"Eu quero fazer silêncio, um silêncio tão doente do vizinho reclamar!" – Chico Buarque

Categoria: dpv

Quem me dera ao menos uma vez…

“Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha” – Índios (Legião Urbana)

O que falta é humanidade. Veja que disse humanidade, não dinheiro, não paz, não glória. O que falta mesmo é humanidade. Dentro de um galinheiro existe humanidade. Há respeito, há ordem.

Será que nós que somos as galinhas?

Já dizia Clarice Lispector, viver é um soco no estômago. Mas quem o dá? A vida? Não. Nós o damos. Por isso repito, falta humanidade.

O sangue que escorre de meus dedos não será em vão caso haja humanidade. 

Digressão.

Mudança.

Falta de nexo.

Vivemos em uma sociedade que é cinza. Quem me dera que os contos de fadas fossem reais e que todas as pessoas fossem felizes.

Vá ao shopping, vá ao metrô, entre no metrô. O que se vê? Pessoas vazias de si mesmas. O mundo não precisa de dinheiro. O mundo precisa de humanidade. E há saudade, há dor, há perda. Há pedaços de espelhos quebrados em nossas mãos.

(Quando se passa muito tempo longe da escrita é difícil voltar)

Hoje pela manhã acordei com uma alegria imensa dentro do peito, mas passou. Tudo passa e olhar pela janela fez passar. O mundo anda vazio de tudo e cheio de nada. Quisera eu um dia conseguir pegar todos no colo, dar um banho quente e dizer que tudo é possível caso haja fé.

Falta humanidade, porém também falta fé. Fé na humanidade. 

Máquinas a todo instante, mas e o viver? Estou farto de conviver com gente tão vazia. Máquinas. Um maquinário completo. Estou cansado de andar nas ruas e ver faces estáticas.

Eu quero sorrisos,

Quero abraços.

Quero felicidade.

Quem antes próximos de nós estava, hoje se rebela e guerreia. Por status, por dinheiro, deixando às migalhas aquilo que carregava no peito.

Uma troca, tenha e deixe de ser. 

Totalmente sem nexo. (tanto o texto, quanto a vida).

Eu só queria voltar a trás. Aos cinco anos, onde o amor era gritante e a alegria parecia regra. Onde a dor não existia e tudo era resolvido com xarope. Queria voltar ao tempo em que os amigos eram amigos e não existia competição, em que a dor do mundo era tão pequena que nem tinha concorrência.

Eu só queria que o mundo fosse, de verdade, da maneira como nos pintaram quando crianças: possível.

Na realidade o mundo é dos sonhadores, mas vos pergunto: há espaço de sonhar?

Transcender, renascer.

É preciso sonhar para se ter humanidade, é preciso que se tenha fé na vida.

Tentar outra vez.

Será que ainda se tem força para tentar?

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Os pássaros e as crianças.

“Somos o futuro da nação, geração coca-cola” (Geração Coca – Legião Urbana)

Nós nascemos e com o tempo vamos evoluindo… Crescendo… Mas de repente vem um estouro em nossas mãos e percebemos: somos responsáveis por tudo isso que nos cerca. Somos os médicos, engenheiros, arquitetos, artistas, professores, músicos, cineastas dos dias atuais.

Uma lacuna no tempo.

Éramos só crianças e já pensávamos no que seríamos, mas ninguém nos avisava da importância e do peso que se carrega por se escolher ser algo.

Tiro no escuro.

As crianças são o nosso futuro. Esses seres pequenos e carinhosos de sua maneira tomarão nossos lugares, mas será que eles são preparados para entender o peso que carregam nas costas? Não digo o peso da escolha, mas o peso da mudança, o peso de ser tudo aquilo que eles pensam, mas que quando crescem escondem numa caixinha por mero desespero de se enquadrar em algum lugar. As crianças são como os pássaros: podem voar. E voam longe, caso a liberdade de criar os seja dada.

Mas e se o pássaro cresce em uma gaiola?

E se a águia é criada como galinha?

E se a criança é criada sem esperança?

Quando viramos para uma galinha e a mandamos voar, ela bate as asas mas nada de alcançar voo. Quando viramos para uma criança e dizemos a ela que NÃO é possível voar, ela esquece das possibilidades da vida.

Crer nas crianças e em seus sonhos é crer em um mundo diferente, em um mundo melhor, pois suas almas não anseiam o mal, suas almas anseiam o bem, o carinho e o afeto (que convenhamos: muitas vezes os faltam). Acreditar em uma criança e dizer que ela tem o poder de fazer tudo aquilo que ela almeja é acreditar que a sociedade ainda tem esperança. Educar as crianças para a vida é educar uma geração que dará continuidade a tudo aquilo que nós criamos, é acreditar na possibilidade de concerto de erros que nós não fomos informados. (Mas não, elas não tem a obrigação de limpar a merda que nós mesmos fizemos).

Olhar para uma criança e dizer “VOE” é como criar a cura para muitas doenças.

Sonhos são importantes

E crianças sonham.

Dê importância ao grito dos pequenos.

Crianças são como pássaros: se você gritar para que voem ao horizonte em busca de seus sonhos, elas irão.

Não galinhas.

Não pássaros enjaulados.

Mas sim, pássaros livres. Livres para ser aquilo que ELAS quiserem.

O passado nós já criamos, agora o futuro depende delas. Mas depende muito mais de nós na maneira como iremos impulsionar o voo.

Quem vai atirar pedra na Geni?

Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni. Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! (Geni e o zepelim – Chico Buarque).

Poderia começar já gritando que todos nós somos Geni e que todos nós somos a cidade em cantoria que não deixou ela dormir. E é isso que dá o ponta pé inicial.

É de facilidade encontrar discursos pregando opiniões próprias, onde o que é certo ou errado é ditado por algum preceito, seja esse religioso, moral, filosófico ou pessoal. Mas no mais íntimo, o que é a verdade? A verdade é mutável de ser humano para ser humano, eu acredito em x, porém ninguém é OBRIGADO a acreditar ou aceitar o x… Existe o y, z, a, b, c… O que é necessário é o respeito.

Embora não pareça, respeitar não é aceitar: você é de esquerda, mas respeita quem é de direita, pois diz respeito AO OUTRO: EXPLOSÃO, desde que o que o outro faça não denigra minha imagem/pessoa, está tudo bem. Tacar-lhe pedra não resolverá NADA.

Opiniões são contrárias e por isso existem.

O nosso planeta é gigante, repleto de culturas que diferem até mesmo entre si.

Nós vivemos em um país da miscigenação, SOMOS TODOS GENI!

Olhe para o espelho: você é totalmente diferente de você mesmo! Um olho é maior, um dedo é menor que o outro. Somos diversidade.

E aí cabe o respeito mais que tudo.

Sou Geni.

Você é Geni.

(Mas mesmo sendo Geni, queremos tacar bosta na nossa outra irmã).

Silêncio.

Voltemos ao respeito: digressão. Eu não sou obrigado a aceitar o evangelismo. Mas respeito. Por quê? Tenho a minha própria crença e sei que o evangelho do outro o serve melhor para si próprio que o meu. Eu me respeito e por me respeitar garanto o direito do próprio de escolher o melhor para si. É necessário entender que no fim cada um trilha o caminho que melhor se veste, que melhor se caminha e ninguém, mas uma vez, ninguém tem o direito de obrigar Geni a usar um sapato totalmente desconfortável.

Você é branco: É Geni.

Você é negro: É Geni.

Você é mulher: É Geni.

Você é gay: É Geni.

Você é cristão: É Geni também!

E basta fechar os olhos e escolher: Ser Geni crucificada ou ser cidade em cantoria gritando crucificação.

(Em toda situação, repito: prefira ser Geni. Isso afirma ser quem é. O julgamento? Quem julga não é Geni, quem julga não tem razão. Quem julga é tão diferente e particular quanto você. Quem julga não tem poder de julgamento algum).

Vale a pena a vida de artes cênicas?

Já respondendo a pergunta antes mesmo dos argumentos: eu não sei.

Como assim não sabe de algo que vai falar? Exatamente isso, eu não sei, mas posso explicar o por quê do título. Ainda estou no terceiro ano do ensino médio, optei por cênicas, já fiz minha prova de habilidade específica e estou muito feliz com a minha escolha e é sobre isso que quero falar: esse texto não é sobre a vida de ator, mas sobre a atuação que muitas vezes você tem que fazer.

Quando somos crianças temos uma mente fértil e sempre pensamos na nossa felicidade, vamos crescendo e percebendo que muitas vezes ser feliz não significa ter sucesso perante as outras pessoas. Mas te pergunto: vale a pena abrir mão da felicidade interior por mero status? Vale a pena abrir mão da paz consigo mesmo por conta de falsas certezas?

Já nos fala Cícero em sua música João e o pé de Feijão “diz a lenda que trocou suas certezas por alguns sonhos mágicos”. E agora uma explosão: É PRECISO DESAPEGAR DE FALSAS CERTEZAS SIM. Olhe em sua volta.

Há uma porta.

Há uma parede.

Mas quem garante que ela estará aí amanhã? Pode haver uma chuva forte, pode haver uma ventania, um assalto…

E depois do material, de suas certezas, de seu ponto que necessita ser batido todos os dias na mesma hora, o que resta do seu real eu?

Nós somos as somas de nossas escolhas, somos reflexo daquilo que escolhemos para nós mesmos. Pare.

Silêncio.

Escolher a felicidade, para muitos, é covardia. Seja covarde.

Embora vivamos em um mundo em que se necessita de muitas coisas (muitas vezes inúteis) não precisamos nos prender a isso. Quem se ama se respeita. E escolher ser feliz é se respeitar.

Mas Igor, o que são falsas certezas? Uma pequena digressão aqui: quando nascemos somos impostos a crescer, ter sucesso na escola, prestar um vestibular e entrar para um curso de sucesso ou prestar concurso público (pelo menos aqui em Brasília é o sonho de muitos). Somos impostos a ter empregos que não queremos, para comprar coisas que não precisamos e agradar pessoas que não deveríamos (sim, parafraseando fight club). Percebe? São falsas certezas, pois não te trazem o maior bem da vida: A FELICIDADE. São certezas que te afastam de você mesmo..

Você se olha no espelho e de repente BAM! Não sabe mais para o que está olhando.

Você não precisa de uma casa de luxo.

Você não precisa de 30 mil por mês na tua conta.

Você não precisa de um calçado de 5 mil reais.

Você precisa ser feliz!

A vida é uma só. Única. Num momento você está aqui, no outro, não mais. A felicidade é intransferível, ou se é feliz ou não. Escolha ser.

Acho que após tudo isso eu consigo responder: a vida de artes cênicas, PARA MIM, vale a pena sim! Pois me encontro, me  mostro e ao mesmo tempo DESCUBRO QUEM SOU EU! Agora, após refletir um pouco, se olhe no espelho e responda: “qual é a minha arte cênica?” e tenha coragem de viver feliz e não por obrigações sociais.

Ser feliz é uma dádiva que poucos alcançam… Ao partir lembre-se que nada do lixo industrial vai com você, a paz e o amor de ter tido uma vida satisfatória com as escolhas, sim.