notas-pensamentos-momentos sobre performance (um texto frágil e por vezes sem sentido)

por Igor Passos

O corpo é mais potente do que se acredita ser no dia a dia. A linguagem dos símbolos, das palavras às vezes toma esse espaço da potência – agora mesmo tiro do corpo e levo à letra uma energia de presença que, mesmo grande, não traduz onde um pulo pode chegar. E como o corpo me faz e estrutura-emerge-faz brilhar um eu-corpo, logo, sou mais potente do que acredito ser no dia a dia. Quero as dobras que escondo diariamente – as dez faces, os tantos sentidos. Quero o cheiro, o toque, a audição a audiçãotoquegestocheiro. Quero o peso-leve do chegar num lugar inalcançável – que nunca se chega, mas devém.

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Na performance busco esse espaço. O espaço entre as coisas – ou o borrão entre as coisas, o “e” em vez de “ou”. Dentro delas. Por fora delas. Junto delas. A potência das coisas… Como diria Spinoza, a felicidade. Busco a fissura do ser e do não ser, o lugar político do corpo e o não lugar também: lugar político que emerge o desejo instantâneo – faz emergir o estranhamento. Micropolíticas surgem ou se revelam? Olhar para alguém e perceber um corpo outro. Outo mas, por ser outro, carrega algo que nos liga. No momento performance, eu busco essa desterritorialização da máquina. Territorializando-me no lugar de percepção. Percepção do mundo criado, do mundo acontecendo.

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Busco o deslocamento de sentido: todo signo foi criado e se foi criado pode ser recriado. Reestruturado. Destruído. Incorporado, deixado de lado. Na verdade não quero o signo, quero o encontro com a coisa. O que ela tem a me dizer? Ultrapasso o tempo cronológico, dilato e aumento o contato: eu e coisa – coisa e coisa – em contato que cria o mundo – transforma o desmundo em algo possível.

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Busco o afeto no encontro e a formulação, neste encontro, de corpos outros – meu corpo sendo espaço poroso de contato. Corpo subjétil. Corpo semente-terra – que quebram e inserem uma nova realidade momentânea, efêmera, mas que se estende em algum lugar da dobra tempo-virtual. Busco a fricção e o questionamento. O devir talvez. As aproximações deleuzianas.

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Quero, com a performance, mostrar a mim que a linha limita uma nuance. Existe a linha dentro da linha e o círculo que pode ser linha também. A crueldade de Artaud.

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É a formação de presença. De questionamentos. Usufruir a potência do Ser. Ser de fato, um Ser. Verdade e mostra e regressão!

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Com a performance eu busco uma potência do que eu posso vir a ser naquele instante, em mim e no outro. Desestruturar Meu Corpo e chegar próximo ao CsO. Andar com os olhos, cheirar com o estômago. Criar-merecriando-ação-corpo-palavra-semsentido.

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No fim, quero o fluxo. Se alguém perguntar: isso é arte? Isso faz sentido? Se alguém afirmar, nada entendi. Tudo bem, acessei algo. Desloquei algo. Sigo.

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mas não leve a sério nada disso. são palavras frágeis e frases sem sentido… foi isso que ouvi no fim. 

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