falando em flores,eu já te disse que você combina com as rosas?

por Igor Passos

olá,

hoje eu fugi do papel. mas preciso te escrever. preciso dar-te o que é teu por direito. eu disse que aquela seria a última carta e bem, ela foi. isso que escrevo direciono ao mundo. preciso começar dizendo que sinto sua falta. desde aquele dia frio de julho em que te vi mais homem, mais longe, mais só… e eu me arrependo muito de não ter feito algo. algo antes, algo enquanto éramos um fragmento do outro.

essa semana algo me invadiu e eu não sei como conviver com isso. é um nó no estômago, uma vontade de gritar palavras que me fogem, palavras que eu desconheço, eu quero gritar o adeus. mas ainda temos um laço, um cordão umbilical. mas eu quero terreno novo, esse já está desgastado, só me traz dores de parto, quero logo a coisa viva em meus braços.

nesse momento eu me lembro de um domingo de junho, você e eu dentro do carro, eu me sentia tão bem, o sol batia pela janela e tudo parecia conectado. eu pensava em um nós. tocava uma música serena. doce igual teu beijo. e eu devia ter mandado você parar em qualquer acostamento e te pedido pra descer e dançar comigo. e no fim da dança fazer o pedido que une pessoas. você aceitaria?

ontem sonhei com você. sonhei que íamos ao bar. você estava estressado. eu levava flores, chocolates e um par de alianças. te chamava pelo nome e sobrenome, pedia para que você ficasse de pé, me ajoelhava e fazia o pedido. e prometia: tentaria te fazer o homem mais feliz que existe nesse mundo.

mas eu acordei.

eu sei que vai passar. e foi eterno enquanto durou. amanhã é um novo dia e nossos caminhos seguirão nos levando a novos lugares. e você encontrará um outro alguém e eu encontrarei um outro alguém. e quem sabe daqui dez anos, quando você tiver quase quarenta e eu beirando a casa dos trinta, nós olhemos para o nada numa tarde de domingo e perguntemos ao vento “por onde andará aquele?”

eu não sei.

quero poder te dizer que eu realmente amei. amei muito e bonito e doce. e foi amor porque não houve dor, até agora. acho que agora virou paixão. ou faca de uma ponta só. parece uma cena de Closer. aquela em que a Natalie Portman diz “I don’t love you anymore”. ah, boa era digital que me permite deixar aqui a cena https://www.youtube.com/watch?v=jBZOc1Ddy8w

mas não fique triste. o que sinto não é dor, de fato. é só um pouco de realidade que respiro. a gente não tá pronto pra dizer adeus. pros términos. mas passa. logo se passa e logo se renasce.

amanhã já serei flor nascida e forte.

falando em flores,eu já te disse que você combina com as rosas?

adeus, enquanto ainda consigo andar com as minhas próprias pernas.

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