Tem uns fantasmas que a gente não entende bem

por Igor Passos

Para ler ao som de Maria Bethânia

Eu bebia da vida em goles pequenos

Tropeçava no riso

Abraçava de menos

Quem me leva os meus fantasmas

Sempre que escrevo aqui eu tento ser positivo a respeito do que estou escrevendo, solucionar pequenos problemas, entende? Mas tem algumas coisas que eu não consigo solucionar sozinho.

Eu, assim como você, tenho medo. Medo de pato, medo de aranha e até de cobra. Tenho medo de andar na rua a noite sozinho (acredite, mãe, eu tenho!) Tenho medo de morrer, tenho medo de errar e até mesmo medo de tentar.

Minha mãe sempre me disse que precisamos correr atrás do que a gente quer. Sem medo. O não a gente já tem, mas e o abismo entre o sim e o não? Essa incerteza que vai mudar nossa vida, eu tenho medo é dela.

Eu tive medo de prestar vestibular pra cênicas (eu sempre falo sobre isso, pois dentre minhas conquistas pessoais, minha profissão é a que mais me orgulha) e fico me questionando se não tivesse arriscado. O que seria de mim hoje?

Tive um professor que me disse um dia que o medo pode ser uma forma de “forcinha” pra se realizar o que quer e que ainda te previne de uma queda brusca. Entendi com o tempo um pouquinho disso. Continuo tendo medo de pato, mas não tenho mais medo de tentar, por exemplo, por em prática meus projetos.

Entretando o medo tá revestido em diversas camadas e tem uma área na minha vida que sempre reina: a tal vida amorosa. Eu chorei com Closer. Eu chorei com 500 dias com ela. Eu chorei com A bela Junie. Antes do pôr-do-sol. Com todos esses romances. Eu me sentia parte. Eu tenho medo de tentar, eu  tenho medo do fim. Eu sou inseguro no aspecto amor. Mas o que é o amor? Eu amo tanta coisa de peito aberto, mas quando se trata de uma relação a dois, me dói o medo, a rejeição.

Há alguns dias eu conversava com você, leitor, a respeito do olhar para os lados. Mas vocês não imaginam o quanto é difícil para mim (e uma digressão: uso esse blog para trabalhar meus medos sim. Parece que me entendo quando escrevo e vejo que as coisas são mais tranquilas e fáceis). E aí eu me vejo num quarto com medo de tentar. Sabe, aquele flerte, ou o simples “te achei um cara legal, vamos sair um dia?”. Eu me apavoro no ato de tentar, do que o outro vai pensar, DE COMO ISSO VAI IMPACTAR MINHA VIDA. E nesses momentos eu me vejo num espelho e todos meus defeitos vêm a tona.

Eu só tenho medo de acabar sozinho. Eu tenho medo da solidão. E ela me assombra. 

E esse medo me faz caminhar em passos pequenos, me faz dar pequenos goles. Me faz viver me impedindo de tentar algumas coisas. Eu só queria fechar os olhos e pensar que eu tô numa aula de movimento e linguagem e que ali eu posso fazer tudo, me jogar de corpo e alma. Mas aí eu abro os olhos. E o medo me blinda de mim mesmo.

Quantos encontros perdidos pelo medo. Quantas pessoas passaram pelo medo. Quanto eu deixei pra trás pelo medo.

Eu travo quando encontro a possibilidade de me ser no outro.

Me travo pelo medo de tentar me mostrar ao outro. Da conquista. Do fazer… feliz.

Acho que por hoje é isso. Nós temos medos, eu tenho esses e não achem que o medo de tentar me relacionar é maior que o medo de patos, pois não é. Mas isso me dói; a insegurança. Que algum dia eu mesmo me retire os meus fantasmas do passado.

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