Olhar para frente nem sempre é a resposta

por Igor Passos

A gente deveria ser mais aberto as coisas que a vida coloca no nosso caminho. Ontem eu estava assistindo a um documentário lindo, As canções o nome, e um trecho me chamou muito a atenção. Em determinado momento uma das pessoas fala:

Eu passei tanto tempo tendo esperança que ele voltaria que não me permiti olhar para os lados.

E  não quero falar do esperar ele voltar, mas sim do se permitir olhar para os lados. Uma coisa que tenho percebido muito é essa necessidade que está se formando na gente de ser independente dos outros, quando digo isso me refiro a isso de ser super legal e influente em diversos lugares, mas quando alguém chega pra conhecer melhor a gente, as portinhas do legalzão do pedaço se fecham. A gente não permite que as pessoas entrem nas nossas vidas, que pessoas conheçam esse serzinho estranho que tem por trás do ser influente, politizado, desconstruído. E com isso muitas pessoas passam nos lados e a gente fica fazendo a Gisele na passarela da vida e no fim, papum, fica sem ninguém (e quando digo ninguém não me refiro só ao amor, mas em amizade também, hein!).

E por qual motivo? Olha, existem vários motivos que me permeiam e eu só posso falar deles que me habiam(avam), aliás, eles me foram vividos. O primeiro é o se conhecer, você se conhece, logo vê todos os pequenos detalhes ruins e bons. Isso é avassalador. Medo de que as pessoas conheçam as facas que a rosa possui. Mas também tem isso que já disse a cima. Essa coisa de precisar ser cool sempre, mas ter uma preguiça imensa de se aprofundar no outro, me passa agora que tem também o ponto da tecnologia, da rapidez das coisas. Como o tinder, passa pro lado e plau, um like. Muito rápido, muito fácil, ‘passar‘ se torna uma regra e aí aquele tempo que você poderia estar olhando pros lados e conhecendo alguém maravilhoso, se torna perda de tempo…

E isso é ruim. A gente é profundo. Precisa de tempo pra mergulhar nisso. Conhecer alguém exige paciência, vontade… E porque não ter essa vontade? Medo? Acho que a gente precisa ter os braços mais abertos pra vida. Tem tanta coisa que as pessoas podem oferecer, tem tanto que você pode aprender com o outro… E o outro com você também. Dar opotunidade a alguém de mostrar é dar oportunidade pra si próprio de conhecer (tanto alguém como a si próprio).

E pensando sobre tá aí a resposta pro sofrimento de “eu não consigo achar alguém legal/bom o bastante“: se permita. Deu errado? É a vida, meu amor. Do erro também se tira aprendizagem. E de erro(aprendizagem) em erro(aprendizagem) se forma o acerto. Abraçar o outro é se abraçar também. 

Além disso acho que quando a gente olha (se permite olhar) para os lados com os olhos despidos e receptivos, conseguimos nos colorir mais, possibilitamos o devir. Citando mais um trecho de As canções:

É como eu disse: deixei de ser um retrato branco e preto e me colori um pouco.

Bom, acho que por hoje é isso. Eu estou tentando a cada dia me permitir conhecer, deixar meus braços abertos ao que quer entrar. Viver, talvez seja isso. Que vivamos. Que nos deixemos olhar para os lados sem medo da queda.

Anúncios