Vamos nos valorizar, manxs!

por Igor Passos

De uns tempos pra cá tenho escutado muito sobre relacionamentos (não) abusivos. Isso é um grande avanço. Relacionar-se é uma necessidade humana, mas relacionar-se não combina em nada, como já sabemos, com violência (seja ela qual for).

Porém às vezes a gente se esquece que relacionar-se com alguém exige uma coisinha chamada reciprocidade. Dividir um trecho da vida com alguém é como aquela performance da Marina Abramovic (ver imagem a baixo), se um soltar, se um faltar com essa reciprocidade, essa igualdade, o outro vai ser bombardeado de alguma forma.

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Rest Energy, 1980

Estar com alguém ultrapassa as palavras, ultrapassa o eu. Estar com alguém envolve respeito, envolve o ouvir, envolve o falar. São dois corpos que, juntos, se transformam e se interligam de uma maneira muito pessoal.

E o que tudo isso tem haver com o início do texto, Igor? Muitas, mas muitas vezes mesmo nos permitimos estar em relacionamentos que nos diminuem de formas subjetivas. Quantas vezes nos permitimos ir para lugares em que não nos sentimos a vontade simplesmente para agradar o parceiro? Quantas vezes pensamos duas vezes antes de usar determinada roupa por conta do nosso parceiro (e quantas vezes usamos roupas que nem gostamos só para agradar o parceiro?) Sem contar as vezes em que a pessoa diz gostar de ti, mas não tem coragem de apresentar-te pra família, pros amigos ou sair com você pra um restaurante, por exemplo. O que acontece, por vezes em nossas vidas (talvez não na sua, mas na de muita gente) é que achamos que um relacionamento de qualidade (ou não abusivo) está atrelado simplesmente à ausência de violência física, mas não é por aí.

A violência psicológica tá bem aí batendo na nossa porta toda vez em que a gente se priva ou se submete a situações só pra agradar o outro. E quando fazemos isso, simplesmente permitimos que o outro solte a flexa e nós, sozinhos, mantemos um relacionamento, sofremos caladinhos por medo do término.

(Esse texto tomou uma proporção que eu não esperava, mas vamos lá que é isso aí).

Manxs, relacionamento tem que ter uma coisa, como já disse: reciprocidade. Mas agora eu vejo que só reciprocidade não basta: é preciso que o outro tenha orgulho de quem tem do lado e ter orgulho está associado a você ter a liberdade íntegra. Usar o que quer, não ter medo de dizer não, não ter medo de trocar o mozão pelos amigos uma vez na vida. Esse orgulho ainda tem muito haver em assumir. Se eu tô com alguém é porque gosto e não vejo motivo de esconder o relacionamento. Se o esconder é uma necessidade, alguma coisa tá meio errada nesse rolê. Amor é lindo e deve ser exposto sim!

Acho que por hoje é isso. Vamos nos valorizar. Vamos nos amar e não permitir que abusos passem. Se o cara é abusivo, manda ele embora. E eu te garanto: um dia vai aparecer alguém que vai gostar de você, que vai te assumir, que vai se orgulhar em te olhar  e saber que te tem com ele(a). Vamos viver o amor sendo amor, não em relacionamento abusivo mascarado.

 

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