O grão e a gota e eu e nós

por Igor Passos

Quando vejo uma gota de água caindo na janela enquanto chove, paro e me pergunto, será que sou tão forte quanto esta gota? Pois bem, ela caiu ali, naquela janela e luta para não parar. Continua seu percurso e nesse instante percebo: essa gota é. Num meio a tantas outras gotas, tantas juntas formando um temporal, aquela se destaca por ser. Por ser calmaria, por trilhar o caminho oposto, ela é por que tem a fortaleza de continuar seguindo mesmo sabendo que vai chegar a um final.

Eu queria ser igual a uma gota de água ou um grão de areia, saber a grandiosidade da pequenez, pois ora, o que somos se não grãos? E esse é o grande problema, não aceitar essa capacidade. Um homem anda com uma arma nas mãos e se sente maior que um elefante, mas se um elefante tivesse perto dele, com um único chute, o mesmo homem, com a mesma arma seria absolutamente nada. Um homem no chão. O que falta é a compreensão que sozinhos somos grãozinhos tão perdidos, mas ainda assim somos. Temos nomes, objetivos, essências. Mesmo grão somos e fazemos a diferença.

Falta entender que não há um grão maior que outro, todos são iguais. E todos precisam lutar como uma gota de água que cai da janela.

Falta entender que grande mesmo só o amor. Grãos juntos por objetivos compartilhados formam mais amor. E eu queria mesmo ter a força de um grão, queria me ver grão, pequenino, semente que ainda não germinou.

E há quem diga que o grão não é importante, mas sem o grão em conjunto não há a terra que cobre a semente, sem a gota em conjunto não há a água que rega a planta. Preciso entender que o grão luta para o coletivo e o coletivo também faz o grão.

Será que também sou sal da terra? E se o sou, será que o sei?

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