Para onde a arte caminha?

por Igor Passos

No decorrer dos séculos a arte muitas vezes foi usada como meio de transformação, denúncia, renascimento da sociedade. Desde as pinturas rupestres até as vanguardas europeias, acompanhamos a ganância do homem por expor aquilo que atormentava sua alma. Na literatura, do quinhentismo ao modernismo, expondo sempre aquilo que parecia um viés desconexo ao tempo. Mas e hoje, para que é usada a arte na modernidade?

Claro, muitos são os artistas que continuam levando o propósito da arte como vida, a arte como meio de explosão, de exposição. Entretanto, ainda são uma pequena parcela.
Com a explosão industrial e capital parece que vender arte se tornou mais importante do que fazer arte. Lucro se tornou sinônimo de qualidade e no fundo, será isso arte?

Hoje, ligamos a TV, abrimos as páginas na internet, visitamos uma livraria e o que mais se destaca, o bom ou o mais vendido? Nos meios de comunicação, nas rodas de amigos, quais músicas se destacam? As que estão no top 10 daquela tão famosa rádio ou aquela que ficou de fora de algumas disputas por não ser considerada digna de tal? Quando vamos aos cinemas, quais filmes sempre estarão em cartaz? Os que trarão uma boa onda de humor desnecessária ou o oposto disso?

Visando tudo isso, não quero chegar ao ponto de dizer que a arte é ruim, pelo contrário, se tudo citado tocar alguém, essa será uma arte válida, mas sente-se aqui, conversemos: concorda que hoje, como um aparelho celular, como um sofá novo ou um carro zero, a arte se tornou apenas um meio comercial, um meio de lucros e que por vezes se caracteriza pelo vazio? Hoje, talvez, estejamos no marco zero de um novo processo revolucionário, talvez um “new parnasianismo” […]

[…] No fundo, aquilo que Adorno e Horkheimer diziam era totalmente certo: parece bom, parece certo, parece reflexivo, mas apenas o é para lhe vender algo que, bem, parafraseando Fight Club: você não precisa em todos os sentidos. Talvez Admirável mundo novo, Farenheight 451, Sobrevivente e tantos outros estejam totalmente certos.

Mas até quando?

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