A janela

por Igor Passos

Um dia, debruçada sobre o parapeito de sua janela, Lorena se assustou: em repentino momento, em sua mente, surgiu uma dúvida: quem era ela? Parou para refletir a cerca de tal, mas naquele instante parecia que o silêncio e  o vazio tomavam conta de sua mente.

“Quem sou eu, afinal?” era a única coisa que conseguia encontrar. Olhou para as árvores abaixo de seu prédio, para as pessoas que passavam e nada.

Nunca havia ela parado para tal questionamento, a correria do dia a dia a impedia de lembrar-se de si, aliás, quem somos nós nessa correria imediata de carros e rostos cinza? Mas de repente a resposta pareceu surgir como água que brota do chão.

Ser é algo subjetivo, ser alguém varia de pessoa para pessoa, idade para idade, tempo para tempo… Lorena aliviou-se. Percebera que no meio daquela multidão, mesmo tão igual, cada um era diferente, pois o ser é único. Ser e estar no mundo é individual que, quando olhado com cuidado, vira conjunto.

Ela, após uma longa respiração, colocou  a mão no peito, sentiu-o pulsar: aliviou-se mais, aquele batimento era a certeza que estava viva e que suas concepções viviam com ela. Naquele momento ela percebeu que, além de ser, era parte de algo. Respirou fundo. Ser parte de algo nem sempre é positivo, pensou, mas logo viu: é melhor fazer parte de algo e ter a certeza de que se é, do que estar fora do todo e nem ao certo lembrar de seu nome.

Lorena já não era mais Lorena, parecia que aquele momento na janela havia a transformado, trocara de nome, ganhara liberdade. Mas não hesitou, ali continuou a olhar para as pessoas que passavam, respirando pausadamente,  tendo a certeza que o ser é subjetivo e que mesmo que não fosse algo de acordo com o mundo, para ela, ela era alguém.

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