Quem me dera ao menos uma vez…

por Igor Passos

“Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha” – Índios (Legião Urbana)

O que falta é humanidade. Veja que disse humanidade, não dinheiro, não paz, não glória. O que falta mesmo é humanidade. Dentro de um galinheiro existe humanidade. Há respeito, há ordem.

Será que nós que somos as galinhas?

Já dizia Clarice Lispector, viver é um soco no estômago. Mas quem o dá? A vida? Não. Nós o damos. Por isso repito, falta humanidade.

O sangue que escorre de meus dedos não será em vão caso haja humanidade. 

Digressão.

Mudança.

Falta de nexo.

Vivemos em uma sociedade que é cinza. Quem me dera que os contos de fadas fossem reais e que todas as pessoas fossem felizes.

Vá ao shopping, vá ao metrô, entre no metrô. O que se vê? Pessoas vazias de si mesmas. O mundo não precisa de dinheiro. O mundo precisa de humanidade. E há saudade, há dor, há perda. Há pedaços de espelhos quebrados em nossas mãos.

(Quando se passa muito tempo longe da escrita é difícil voltar)

Hoje pela manhã acordei com uma alegria imensa dentro do peito, mas passou. Tudo passa e olhar pela janela fez passar. O mundo anda vazio de tudo e cheio de nada. Quisera eu um dia conseguir pegar todos no colo, dar um banho quente e dizer que tudo é possível caso haja fé.

Falta humanidade, porém também falta fé. Fé na humanidade. 

Máquinas a todo instante, mas e o viver? Estou farto de conviver com gente tão vazia. Máquinas. Um maquinário completo. Estou cansado de andar nas ruas e ver faces estáticas.

Eu quero sorrisos,

Quero abraços.

Quero felicidade.

Quem antes próximos de nós estava, hoje se rebela e guerreia. Por status, por dinheiro, deixando às migalhas aquilo que carregava no peito.

Uma troca, tenha e deixe de ser. 

Totalmente sem nexo. (tanto o texto, quanto a vida).

Eu só queria voltar a trás. Aos cinco anos, onde o amor era gritante e a alegria parecia regra. Onde a dor não existia e tudo era resolvido com xarope. Queria voltar ao tempo em que os amigos eram amigos e não existia competição, em que a dor do mundo era tão pequena que nem tinha concorrência.

Eu só queria que o mundo fosse, de verdade, da maneira como nos pintaram quando crianças: possível.

Na realidade o mundo é dos sonhadores, mas vos pergunto: há espaço de sonhar?

Transcender, renascer.

É preciso sonhar para se ter humanidade, é preciso que se tenha fé na vida.

Tentar outra vez.

Será que ainda se tem força para tentar?

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