Quem vai atirar pedra na Geni?

por Igor Passos

Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni. Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! (Geni e o zepelim – Chico Buarque).

Poderia começar já gritando que todos nós somos Geni e que todos nós somos a cidade em cantoria que não deixou ela dormir. E é isso que dá o ponta pé inicial.

É de facilidade encontrar discursos pregando opiniões próprias, onde o que é certo ou errado é ditado por algum preceito, seja esse religioso, moral, filosófico ou pessoal. Mas no mais íntimo, o que é a verdade? A verdade é mutável de ser humano para ser humano, eu acredito em x, porém ninguém é OBRIGADO a acreditar ou aceitar o x… Existe o y, z, a, b, c… O que é necessário é o respeito.

Embora não pareça, respeitar não é aceitar: você é de esquerda, mas respeita quem é de direita, pois diz respeito AO OUTRO: EXPLOSÃO, desde que o que o outro faça não denigra minha imagem/pessoa, está tudo bem. Tacar-lhe pedra não resolverá NADA.

Opiniões são contrárias e por isso existem.

O nosso planeta é gigante, repleto de culturas que diferem até mesmo entre si.

Nós vivemos em um país da miscigenação, SOMOS TODOS GENI!

Olhe para o espelho: você é totalmente diferente de você mesmo! Um olho é maior, um dedo é menor que o outro. Somos diversidade.

E aí cabe o respeito mais que tudo.

Sou Geni.

Você é Geni.

(Mas mesmo sendo Geni, queremos tacar bosta na nossa outra irmã).

Silêncio.

Voltemos ao respeito: digressão. Eu não sou obrigado a aceitar o evangelismo. Mas respeito. Por quê? Tenho a minha própria crença e sei que o evangelho do outro o serve melhor para si próprio que o meu. Eu me respeito e por me respeitar garanto o direito do próprio de escolher o melhor para si. É necessário entender que no fim cada um trilha o caminho que melhor se veste, que melhor se caminha e ninguém, mas uma vez, ninguém tem o direito de obrigar Geni a usar um sapato totalmente desconfortável.

Você é branco: É Geni.

Você é negro: É Geni.

Você é mulher: É Geni.

Você é gay: É Geni.

Você é cristão: É Geni também!

E basta fechar os olhos e escolher: Ser Geni crucificada ou ser cidade em cantoria gritando crucificação.

(Em toda situação, repito: prefira ser Geni. Isso afirma ser quem é. O julgamento? Quem julga não é Geni, quem julga não tem razão. Quem julga é tão diferente e particular quanto você. Quem julga não tem poder de julgamento algum).

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